21.06.2009
Izaura Rocha
Meu nome é Izaura e nunca tive dúvidas quanto ao que seria na vida: jornalista. Exerço a profissão há muitos anos em Juiz de Fora, com longa passagem pelas páginas da Tribuna de Minas e outra, mais breve, pelas do extinto Panorama. Adoro escrever, amo literatura e cinema, e nos últimos tempos atuei principalmente na editoria de Cultura. Atualmente, coordeno a Agência Experimental de Jornalismo da Faculdade Estácio de Sá de Juiz de Fora (FESJF), onde também tive a oportunidade de dar aula de Jornalismo Cultural, e sou editora do jornal “Palco”, do Cine-Theatro Central, trabalhando com bolsistas de Comunicação na Pró-Reitoria de Cultura da UFJF. A cultura, no seu sentido mais amplo, será tema desta coluna. Vamos discutir livros, filmes e tudo o mais, numa perspectiva de leitura desse velho admirável mundo novo.
Comentários
Regina GarciaIzaura, saudações democráticas!
Assim é que nos reportávamos aos nossos colegas de universidade no final da década de 70, nas manifestações estudantis, nas assembléias estudantis.
Lembro-me, perfeitamente quando fui chamada, a portas fechadas, pela diretora de minha faculdade, comunicando-me que eu estava proibida de "panfletar" na faculdade de Direito, sob pena de sair presa de lá caso voltasse com os textos do DA.
Passaram-se os tempos da ditadura, criaram-se leis[textos, não?], o jornalismo cresceu no País, com a formação de novos profissionais e contribuição de velhos ícones, embora não diplomados jornalistas. Por outo lado, quanto mais leis são criadas, menores as suas observâncias, mais corrupção, nepotismo[e existe até súmula do STF]. Enquanto isso, uma boa parcela de jornalistas deste país vêm denunciando, através de excelentes matérias, os mandos e desmandos daqueles que criam textos como letras mortas.
É, Izaura, mudam-se os tempos, mas não as características daqueles que detêm o poder.
Dessa vez o "diretor" não quer que mais ninguém fale, escreva, entreviste com formação adequada. Dessa vez "ele"não ameaça com a prisão, mas amordaça com a arrogância.
Dizem que outros cursos sofrerão o mesmo processo. Lamentável, pois as ciências humanas têm um campo vastíssimo, é preciso que muitos estudos sejam feitos. As leis são o produto final.
Mais uma vez, digo: lamentável!!!!
Mas tenha a certeza que seu diploma não foi e nem será em vão. O "diretor" da faculdade dos idos de 76, hoje, sabe que os meus textos e minhas atitudes estavam corretos.
Há coisas que, para alguns, só o tempo mostra...
Saudações, suponho, ainda, democráticas, mesmo com posicionamentos despóticos, arrogantes.
Um abração solidário.
IzauraRegina, você disse muito bem. Há muito mais por trás dessa decisão, e o problema é que tudo está sendo tratado tão superficialmente! Como se jornalismo fosse apenas uma questão de técnica. Palavras muito lúcidas e certeiras as suas. Obrigada pela solidariedade. Um abraço e saudações democráticas, sim, sempre!Leon DenisIzaura, eu também não consigo entender que interesses maiores são esses com essa decisão pelo fim do diploma. Será que vamos eternamente viver nesse país que desde a época colonial as profissoes valorizadas eram direito, engenharia e medicia? Querem enfraquecer nossa imprensa, isso é um absurdo.Célio Vidal - celiovidal@acessa.comIzaura, que coluna maravilhosa. Que bonito ver sua foto com o rosto de esperança e felicidade de quem ama escrever e ensinar. É como se hoje nosso país pegasse tudo que vinha sendo construído e derrubasse como um castelo de areia, uma lastimável pena. Só o tempo mostrará o quanto nosso país retrocede com tal atitude. Que pena não termos jornalistas fortes e representativos para mudar esse panorama. Nem as mídias podem critar, porque precisam do apoio do governo para continuarem vivos. Tudo é globalização, tudo é dinheiro e nada é conhecimento.